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NOTÍCIA : Mais de R$ 10 milhões em defensivos agrícolas são recuperados pelo GCCO
Enviado por Esmeraldo em 04/01/2016 00:00:00 (344 leituras)

Furto de defensivos agrícolas é uma atividade criminosa altamente lucrativa que desperta o interesse de quadrilhas especializadas. Elas agem nas principais regiões produtoras de Mato Grosso, principalmente norte, médio-norte e sul. Por ser um crime com pena “leve”, a partir de dois anos, organizações criminosas deixaram o risco do roubo a bancos – na modalidade “novo cangaço” – e ataques a caixas eletrônicos com uso de explosivos, que têm penas mais elevadas, para subtração de agrotóxicos vendidos sob encomenda.

 

 

 

Os casos são investigados pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil, que por mês recebe de três a quatro ocorrências de furto e roubo, no período da safra de grãos. Segundo o GCCO, os registros crescem entre os meses de outubro e dezembro quando inicia o plantio da soja, principal grão cultivado no em Mato Grosso, e segue também com ocorrências durante o plantio do algodão e do milho, entre os meses de janeiro e março.

Em 2015, as investigações da Polícia Civil conseguiram recuperar cerca de R$ 10 milhões em produtos subtraídos de fazendas agrícolas do estado e levaram à prisão 30 integrantes de quadrilhas que agem em roubos, furtos e receptação de defensivos agrícolas em Mato Grosso e também em Goiás. Em inquéritos policiais, 45 pessoas foram indiciadas.

Delegado do GCCO, Diogo Santana Souza destaca que a migração das quadrilhas para o defensivo se dá devido à rentabilidade e a fragilidade dos locais armazenados. “Para cada furto as quadrilhas conseguem angariar de 2 a 3 milhões de reais, enquanto que no “novo cangaço” não conseguem isso e o risco é maior”, disse. “Estamos tentando sensibilizar os juízes para não tratarem o furto de defensivos agrícolas como se fosse o furto de uma geladeira, de uma bicicleta. A própria economia do Estado é colocada em risco quando se começa a furtar grandes produtores”, ponderou. 

De acordo com o delegado titular do GCCO, Flávio Henrique Stringueta, em regra as quadrilhas agem nos horários em que não há pessoas vigiando os locais com defensivos armazenados, na madrugada, finais de semana ou feriados. “O mais comum é o crime de furto, cuja pena é realmente muito baixa se comparada ao novo cangaço, em que o crime pode ser de roubo triplamente majorado e até tentativa de latrocínio, devido aos disparos efetuados pelas quadrilhas”.

As quadrilhas de ataques a caixas eletrônicos com uso de explosivos também estão “de olho” nos defensivos, justamente pelo risco ser menor. “Nos ataques a caixas eletrônicos relacionados a explosivos, que eleva a pena e a lucratividade é muito inferior, raramente ultrapassando os R$ 50 mil, há maior risco de serem pegos em flagrante, por se tratar de crime cometido nos centros urbanos”, completou Stringueta.

Outro ponto, segundo os delegados, é a facilidade de acesso a grandes quantidades do produto armazenado em fazendas sem nenhuma segurança ou vigilância eletrônica, o que dificulta as investigações. “O fazendeiro quando compra o defensivo deixa em um galpão de zinco, sem nenhuma segurança, apenas com um cadeado e ninguém tomando conta do produto. Deixa dois a três milhões [de reais] armazenados dessa forma. Isso dificulta nosso trabalho. Não tem um sistema de filmagem, muitas vezes não tem alarme. Se a gente tivesse uma segurança maior por parte do fazendeiro iria facilitar a investigação e maior recuperação”, destaca Diogo Santana.

Para os crimes, as quadrilhas empregam de oito a 10 pessoas, que invadem as propriedades já com conhecimento do local exato onde o produto está guardado. Usando geralmente caminhonetes, colocam o agrotóxico na carroceria do veículo e depois transferem para um caminhão, que é mantido escondido nas proximidades.

Para a Polícia Civil, os delitos não ocorrem aleatoriamente, as quadrilhas já têm mapeado a propriedade que armazena determinado tipo de produto, que é levado para compradores certos dentro do próprio estado e outros da região Centro Oeste, como Goiás. “Não é simples estar com uma carga de R$ 3 milhões com defensivos específicos e sair à procura de comprador. Antes de cometer o furto já sabem para onde irá cada carga. Nesse trabalho, identificamos algumas quadrilhas de Goiás que vêm para cá furtar e voltam com o produto”, disse Diogo Santana.

Devido à incidência das ocorrências, as Polícias Civis de Mato Grosso e Goiás firmaram parceria para troca de informações para intensificar a repressão às quadrilhas que agem com roubos de defensivos agrícolas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins.

Em 2015 a parceria deu resultado e ajudou na recuperação de um caminhão e uma caminhonete, trocados por defensivos furtados de uma propriedade no município de Planalto da Serra (a 256 km de Cuiabá), e na prisão de dois membros de quadrilhas que agem em fazendas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Um dos autores do furto de cerca de R$ 500 mil, ocorrido no dia 9 de outubro de 2015, foi preso na cidade de Caiapônia (GO) com um caminhão e uma caminhonete que recebeu em troca da carga de defensivo. O segundo preso acusado de roubos a propriedades rurais no Centro Oeste teve o mandado de prisão cumprido na cidade de Rio Verde, também em Goiás.

Em outras investigações, 19 funcionários de uma empresa de transporte de defensivos foram presos durante operação da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). O grupo é acusado de desviar R$ 5 milhões, simulando roubos de cargas da empresa onde trabalhavam. “É a maior empresa de transporte de defensivos. Os funcionários criaram uma verdadeira organização criminosa lá dentro”, afirmou o delegado Diogo. 

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